Coragem

Coragem

Quem nunca ouviu falar sobre a tal da coragem? A coragem louca. A coragem insana. Mais a questão é: porque quando mais precisamos da coragem ela resolve desparecer? Simplesmente sumir do mapa e deixar apenas o rastro do nervosismo, do medo, da tristeza e da bendita frase “E se…?“. A real questão é por que não podemos parar com todos esses sentimentos misturados e falar de uma vez que amamos alguém ou se podemos deixar um currículo em algum lugar?

Eu, depois de um tempo… logo após ter completado dezoito anos resolvi parar com isso. Deixar de lado todas essas questões e mil e uma outras para simplesmente viver. Até então, eu tinha medo de andar de montanha russa e descobri que eu adoro o sentimento de adrenalina – não é atoa que eu consegui ir duas vezes -, parei de pensar nos meus medos e comecei a encara-los frente a frente.

Talvez esse seja um texto sobre medos, mais se você parar para pensar em tudo que eu estou escrevendo a real essência dele é a coragem. A coragem de ir atrás do garoto que me chamou a atenção. A coragem de tirar fotos em público. A coragem de entregar um currículo pela primeira vez sem a minha mãe. A coragem de fazer tudo sozinha. De conquistar a minha independência.

Uma vez em um filme eu ouvi: “Tudo o que você precisa é de vinte segundos de coragem insana.” E foi nessa voz, nessa pequena frase com palavras marcantes que eu descobri que eu posso sim ter coragem para muitas coisas. Que eu posso conquistar tudo o que eu sempre almejei.

Cada um de nós deve parar e pensar nos vinte segundos de coragem insana. E partir do momento em que tomarmos essa decisão de sermos corajosos e insanos vamos conseguir realizar coisas que nunca imaginávamos fazer. E eu sou a prova viva disso.

A coragem, seja ela sensata ou insana, está dentro de nós. Como uma vela que precisa apenas do fogo para iluminar tudo ao nosso redor. Então, basta começar a contar os segundos insanos e lá estará a sua coragem.

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A espera

Ninguém gosta de esperas, porém é inevitável. A vida nos fornece isso e tudo que temos que fazer é aceitar ou tentar – ao menos  acelerar para que ela ocorra rápido. Por que eu estou falando sobre isso? É tão cansativo você esperar em uma fila de um banco ou de mercado, é tão cansativo você ter que esperar mais de um mês para ver o resultado do vestibular… é tão cansativo ficar sozinho o tempo todo e mesmo você tentando mudar isso as pessoas não ajudam. Por exemplo: quando você acha que encontrou o cara certo para viver o momento presente da sua vida. Mais de repente não é… se um não quer dois não existem. É simples.  É só que… quando se vive sozinho a vida acaba sendo monótona – e eu odeio isso -, gosto de sair do meu campo de segurança. Gosto de me arriscar, conhecer gente nova, fazer algo que todos acham impossível mais não é. Mais a “espera” sempre vai estar lá, criando uma barreira insondável e claro… nunca irei desistir. Sempre vou procurar e lidar com essa coisa de esperar. E eu quero quero acreditar que no mundo lá fora exista alguém que esteja esperando por mim e que me faça feliz.

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Você se lembra? Talvez?

Faz tempo que não conversamos, não acha? E nesse curto tempo você nem se quer notou o quão me entristece quando não nos falamos. Aí eu me pergunto: por que você simplesmente me adicionou e me disse “olá”? Qual é o sentido disso tudo? Talvez seja o simples fato de você não ter gostado de algo que eu disse, mais eu reli a nossa conversa tantas e tantas vezes para achar esse erro e nada. Qual o sentido de você me prometer que vamos à praia e tomar aquele sorvete de flocos com pistache? Pode ser que você não goste dos sabores, mas podemos mudar isso. Você se lembra das promessas e dos elogios? Você talvez não tenha a noção disso tudo ou que conversar com você me trouxe uma certa paz.

Nós temos as nossas diferenças… claro que sim. Você se lembra quando disse que queria passar horas e horas me abraçando? Talvez eu queria isso também. Porém você não me deu uma oportunidade. Eu percebi que você não gosta de conversar muito e nem eu… a minha timidez não me ajuda em nada. Mais parecia que você queria algo mais… eu não estou dizendo que quero um amor louco. Eu só quero simplesmente alguém que eu possa zelar e que faça o mesmo por mim. Alguém que me faça sorrir nos meus dias mais sombrios; alguém que me leve para tomar sorvete ou surfar. Talvez tenha algo em você que me faça querer mais. Você se lembra das incertezas que você deixou nas entrelinhas daquele dia? Você se lembra… talvez que ainda possa existir um “nós“?

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Pressentimentos

Sabe quando tudo está dando certo e do nada, simplesmente do nada, tudo parece escorregar por entre as suas mãos? É assim que eu estou me sentindo. É como se algo ruim fosse acontecer e o pior de tudo é que já sei o que irá acontecer. Eu odeio ter pressentimentos. É como se eu estivesse escalando uma montanha coberta de neve, e quando eu estou perto do topo – quase chegando lá – do nada aparece uma grande avalanche me levando junto com ela. É tão difícil entender o por quê as coisas são como são, mais ao mesmo tempo é fácil de entender por que elas acontecem. Só pelo simples fato de saber que o destino ou talvez uma força maior que ele esteja reservando algo melhor para nós – isso acaba sendo reconfortante. Porém, os pressentimentos continuam ali, só esperando a próxima brecha para te jogar novamente na avalanche e começar tudo outra vez.

Essa noite eu sonhei com você

Se passava mais da meia noite e eu simplesmente não conseguia dormir, apesar do cansaço os meus pensamentos pairavam sobre a minha cabeça, às vezes chegava a ser insuportável. Logo depois de muita insistência eu caí no sono e não vi mais nada – fora assim que eu pensava.

Era um fim de tarde e eu estava caminhando de volta para casa, quando de repente sinto uma mão no meu braço. Acabei me virando assustada e me deparo com olhos castanhos claros. Nada fora dito naquele momento. Ele – o guri da sala à frente da minha – me olhava de um jeito estranho. Eu já tinha falado com ele e já tinha saído com um grupo de amigos, no qual ele também estava. Aparentava ser um garoto legal, sempre que me deparava olhando para ele, vi que sempre estava sorrindo. Algumas amigas minhas já me disseram que ele me fitava às vezes durante o nosso intervalo, mais eu nunca liguei.

Depois de um longo tempo nos entre olhando eu decidi falar mais nada saiu da minha boca, eu simplesmente abri e a fechei no instante seguinte. O guri à minha frente franziu as sobrancelhas e sorriu. Era um sorriso calmo e de tirar o fôlego – eu disse isso mesmo?

– Eu… eu… – ele sussurrou.

– Você? – eu perguntei.

Ele não disse mais nada, apenas me puxou para perto e me beijou.

Acordei junto com o despertador marcando às seis horas e com a respiração ofegante. Eu não me lembrava de muita coisa no sonho, mais sabia que tinha tido um sonho bom, muito bom por sinal. Talvez fosse a carência – ri para mim mesma – ou simplesmente por que as minhas amigas tinham comentando sobre o guri da sala da frente. Me levantei e fui direto para o banheiro fazer minha higiene pessoal, logo após me trocando e pegando uma fruta na cozinha, saindo em direção à escola técnica – o dia seria longo.

Algumas horas depois o sinal para o intervalo tocou e eu desço para o pátio e ele – o guri da sala à frente – estava lá, sentando em uma mesa no canto junto com o restante do pessoal e com as minhas amigas que estavam lá também.

Me aproximo da turma com cautela – ser tímida é uma droga.

– Oi! – falo cumprimentando à todos.

Me sentei ao lado dele – era o único lugar sobrando – e misturei-me entre as conversas que nem vi o tempo passar quando o sinal tocou novamente. Todos foram saindo e eu fui me levantando quando sinto uma mão segurando meu pulso.

– Espera! – pediu o guri.

Eu o olhei e franzi a testa. Ele acabou tocando a minha testa e eu simplesmente me acalmei com o seu toque.

– Você quer me falar algo? – perguntei com medo da resposta.

– Sim – disse ele me fitando.

Eu apenas acenei com cabeça, incentivando ele a falar. O guri da sala da frente respirou fundo, parecia que estava tomando coragem para falar e eu acabei lembrando do sonho em que tive com ele – acabei ficando vermelha por conta do meu pensamento.

– Eu… eu… – ele sussurrou.

– Você? – eu perguntei.

Parecia que algo ia se repetir naquele instante – como um dejavú.

– Essa noite eu sonhei com você – disse ele por fim.

Me assustei com suas palavras e sorri.

– Essa noite eu sonhei com você – repeti as mesmas palavras que ele e abaixei a cabeça para esconder o rubor das minhas bochechas.

O que aconteceu depois me pegou de surpresa. O guri da sala da frente me puxou para perto e me beijou.

– Essa noite eu sonhei com você – disse entre o beijo e ele sorriu.

Dizendo adeus para o colegial ♥

No começo do ano eu estava ciente de que este seria o meu último ano no colegial – sim eu falo colegial -, porém ainda faltava meses para esta realidade. Depois das férias de inverno, no meado de julho, todos estavam comentando e contando os poucos meses para os finais das aulas e de repente o futuro institui de me lembrar sobre isso. Confesso que bate aquele medo, afinal, durante toda a sua vida você esteve na escola.

Desde o jardim de infância, quando você estava aprendendo os números e o alfabeto, na primeira série, onde você começou a usar óculos e foi chamada de quatro olhos – sim, eu passei por isso -, do medo da quarta série e dá entrada na quinta série, onde tudo era completamente novo, dos últimos dias na oitava série e a entrada no finalmente primeiro ano do colegial. Até lá eu não me importava tanto, só queria mesmo que a escola acabasse o quanto antes. Nunca fui uma péssima aluna, mais também nem a melhor, claro que já ganhei medalhas de honra por ser a melhor aluna da classe, mais nós últimos cinco anos isso não me acontecerá mais. Quem nunca brigou com alguém na escola que se jogue em frente à um caminhão, todos já tiverem nem que seja se quer uma pequena discussão, seja por nota, por conta de um colega, não que eu já tenha saído aos tapas com alguém pelo amor de Deus.

É na escola que descobrimos quem serão nossos verdadeiros amigos que iremos levar para a vida toda. Descobrimos a falsidade das pessoas, o interesse por alguma coisa. A primeira paixão, o primeiro amor, o primeiro beijo e até mesmo a primeira vez. Na realidade tudo que sabemos, nós aprendemos graças a escola, seja pelos professores, amigos, lições. A escola deve ser levada para a vida toda, pois sem ela quem nós seriamos hoje? É nela que nos descobrimos… alguns continuarão sendo nerds, patricinhas, atletas, emos, skatistas, bagunceiros, desligados e por aí vai!

Agora que me falta um pouco mais que uma semana, nem chega a isso, talvez seja apenas uma semana, eu sinto a pressão do mundo lá fora querendo me esmagar, eu sinto o medo, a perda, a alegria… tantos sentimentos misturados juntos que é tão confuso de identificar. É uma pena que eu não tenha mais a formatura – coisas chatas acontecerão -, ela seria o rito de passagem do colegial para a faculdade, um curso técnico, um emprego com carteira assinada, mais não irá acontecer. De algum modo eu sei que algo vai marcar essa data, o fim do colegial.

Eu me sinto tão confusa e triste… poxa é a escola onde passamos a vida toda nela e ela simplesmente de uma hora para outra vai acabar. Eu sei que é necessário, e sei também que ninguém aguentaria mais um ano, porém alguns não farão nada depois que ela acabar, outras quem sabe vão para a faculdade. Uma coisa eu digo não irei sentir saudades de maneira alguma das pessoas irritantes da minha sala, agora dos meus verdadeiros amigos, professores, tia da cantina, expetores… esses sim eu irei sentir.

Eu só agradeço a todos os professores e funcionários da escola por terem me ajudado em tudo que eu sempre precisei. O terceiro e último ano só me ajudou a crescer mais, a me descobrir mais, a amadurecer mais, a ver as coisas com outros olhos e eu não digo que só por que eu tenho dezoito anos – e não, eu nunca se quer repeti um ano na escola, coisa mãe coruja! Cada pequeno momento ficará para sempre guardado no meu coração.

Eu estou dizendo adeus para o colegial e ele estará fazendo a mesma coisa comigo. Mas, o futuro está dizendo olá e eu? Simplesmente estou fazendo o mesmo. Não ligo se estou com medo do que possa acontecer, se eu irei chorar… só sei que vai deixar saudades e eu torno a repetir que cada pequeno detalhe, primeiro amor, cada prova, cada discussão, cada lição vai ficar para sempre no meu coração. Pois agora, daqui em diante será somente eu e o infinito.

Adeus colegial e bem vindo futuro.

Lia Aguilar.